Um dos maiores desafios de quem lidera equipes em agências de marketing especialmente em modelos com profissionais PJ e horários flexíveis é encontrar uma forma justa, objetiva e eficiente de medir produtividade. Durante muito tempo, o controle de horas foi a resposta padrão do mercado. Na minha experiência como gestor, aprendi que essa resposta é, na maioria dos casos, insuficiente.

O Problema: Medir Produtividade Sem Controle de Horas

Por Que o Timetracking Não Funcionava

O squad da agência era composto inteiramente por profissionais contratados como PJ, com autonomia de horário um modelo cada vez mais comum no mercado de comunicação e marketing. Essa estrutura trazia flexibilidade, mas criava uma dificuldade de gestão concreta: como avaliar se cada profissional estava entregando o que se esperava?

O rastreamento de horas (time tracking) foi a primeira alternativa testada. Mas rapidamente identificamos suas limitações. Primeiro, profissionais diferentes têm ritmos e dinâmicas de trabalho distintos uma hora de trabalho não tem o mesmo valor para todos. Segundo, o sistema é facilmente burlável: um profissional pode deixar o rastreador ativo enquanto realiza outras atividades. Terceiro e mais importante nossos contratos não eram vendidos com base em horas, mas em entregáveis concretos (itens produzidos). Medir o esforço em vez do resultado era um desalinhamento estrutural.

A Solução: Sistema de Pontuação por Entregável

Diante dessas limitações, desenvolvi uma metodologia própria: um sistema de pontuação baseado em entregáveis, que transformava cada item produzido em uma pontuação específica, calibrada com base na complexidade e no tempo médio de execução.

Como Funciona a Metodologia na Prática

O ponto de partida foi definir uma referência de dedicação esperada: profissionais com dedicação integral deveriam trabalhar aproximadamente 40 a 45 horas semanais. Com base nessa referência, desenvolvemos uma tabela de pontuação para cada tipo de entrega da agência, construída a partir de um estudo que considerou tanto os profissionais internos quanto benchmarks de mercado.

Alguns exemplos práticos da tabela:

Com essa tabela, passamos a pautar o time por entregáveis e a avaliação de produtividade passou a ser feita com base na pontuação semanal acumulada.

Cenários e Desdobramentos: Do Feedback à Remuneração

A metodologia criou um sistema claro de referências para a gestão:

Entre 38 e 45 pontos semanais: desempenho dentro do esperado. A variação é normal e esperada ao longo das semanas.

Acima de 45 pontos: sinal de alta produtividade. Nesses casos, a análise qualitativa das entregas se torna essencial um profissional que entrega muito em pouco tempo precisa ter sua qualidade monitorada de perto para garantir que volume e padrão coexistam.

Abaixo de 38 pontos: acionamos uma conversa de alinhamento para entender as causas. Se o desempenho abaixo do esperado se repetia por três semanas consecutivas sem melhora, iniciávamos um processo estruturado de feedback e, em casos sem evolução, avaliávamos o encerramento da parceria.

O sistema também funcionou como um mecanismo de reconhecimento: profissionais que consistentemente entregavam acima da média, sem comprometer a qualidade, eram avaliados com maior atenção para possíveis readequações de remuneração um dos pilares do programa de reconhecimento da agência.

Aprendizados e Aplicações da Metodologia

A implementação dessa metodologia trouxe ganhos que foram além da produtividade individual. A gestão ficou mais transparente todos sabiam exatamente o que era esperado. As decisões de feedback, promoção ou desligamento passaram a ser baseadas em dados objetivos, reduzindo vieses. E o time como um todo passou a ter mais clareza sobre o valor do próprio trabalho.

Para líderes que enfrentam desafios semelhantes em agências ou equipes com contratos baseados em entregáveis, a principal aprendizagem é que medir produtividade de forma justa exige calibrar o sistema à realidade do negócio não importar modelos genéricos que não refletem como o trabalho é vendido e entregue.

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